15.11.09

mais um ano.

o que eu posso falar neste 15 de novembro?
conversei com minha mãe, ela não tocou no assunto. está velhinha e eu não quis lembrá-la. por amor a gente faz isso, né? ela estava alegre, tinha almoçado fora com minha irmã e minhas tias, para quê entristecê-la?
papai não gostaria. então, levo sozinha o fardo desta lembrança. leve e pesado, triste e carinhoso. mais um ano, pai, sem o senhor. mas, por minha vida toda e mais cem anos, o seu amor estará comigo, o meu amor estará contigo.

27.10.09

Estava conhecendo o blog Caramujo, da maravilhosa artesã Marina, quando encontrei esta frase que soube dizer exatamente o que eu tentava explicar no post abaixo e não conseguia.

"Há uma semana fez cinco anos que minha mãe morreu, é muito tempo pra estar sem ela. Hoje tudo já é tão diferente do que era naquela época, é estranho perceber que eu vou continuar mudando e minha mãe vai continuar a mesma."

3.10.09

estava lendo, e leio sempre, o blog para francisco. e de repente me deu uma certeza: a mãe do francisco olha para a frente. ela tem a dor, a falta, a saudade, mas tem o francisco, e a vida anda para frente.

e como a vida anda para frente, cada vez que eu olho para meu pai, ele tá mais distante. cada olhar para meu pai é um olhar para o passado. mesmo que este meu pai esteja em mim, under my skin, o olhar para ele é o olhar de quem se afasta. porque a vida anda para a frente. e nossos mortos, por mais que os amemos, por mais que sejam parte da matéria que nos faz humanos, os nossos mortos não andam conosco.

6.7.09

estou assistindo o final de temporada de gray´s anatomy e de vez em quanto escapa uma lágrima.
e eu vim aqui dizer, eu vim admitir, eu não vivi o luto pelas perdas do meu pai como eu queria. sim, eu escrevo aqui e tem todo este sentimento. mas eu escrevo, entendem, é uma coisa que é racional. eu me emociono, eu transformo grito e choro em palavras, mas é de grito e choro que eu preciso.
eu preciso botar para fora toda essa dor que carrego há tantos anos, e não é em forma de post, é em forma de lágrima. eu preciso gritar a imensa injustiça de viver sem meu pai, de viver sem o amor dele, sem as brigas dele, sem o cheiro do cigarro, sem a preocupação, sem as injustiças e as risadas, sem sua barriga, sem sua presença, sem seus pedidos de café, sem suas implicâncias com meus namorados, sem suas qualidades e defeitos, sem o orgulho dele, sem a presença dele, sem a segurança dele, sem a proteção dele.
isso é injusto, é cruel e eu preferia que morressem milhões neste mundo, bilhões, mas que eu ficasse com meu pai.

21.6.09

só agora eu descobri que hoje é dia dos pais nos estados unidos. penúltimo domingo de junho. não consigo parar de sorrir ao pensar nisso. dia dos pais, dia do meu pai.
21 de junho.
quantos anos seriam? não sei, já perdi no tempo a ausência. hoje é o seu aniversário, pai. você sempre esteve comigo, e hoje não é diferente. você prometeu me amar a vida toda e mais cem anos. cem anos de eternidade pela frente, pai.

15.4.09

descobri, através do blog hello, lola, este site. Philip Toledano - Days with My Father

é comovente, é delicado, é um exemplo. o amor faz toda, toda a diferença; o amor, o cuidado, o respeito. a decisão consciente de proteger. o olhar para os pequenos milagres, a aceitação.

a palavra é aceitação. é um abraço, eu acho. a imagem que me veio foi a de um rio abraçando quem está dentro dele, a água morna e suave, o céu, uma corredeira suave.

eu sei que é difícil e doloroso. eu sei que há a vontade da realidade ser diferente. e a raiva por não ter saída, pela realidade se impor, soberana, tirânica. e então eu me deparo com a outra escolha. a escolha da delicadeza. a aceitação da realidade e a busca pelo que existe de bom - o pouco que exista, talvez - e o investimento de seu afeto nisso. a decisão consciente de amar e ser feliz com o que há, e não de sofrer querendo o que não há.

este site, estas fotos, as palavras e as atitudes do Philip são a imagem do que é a compreensão do outro, ao contrário do murro na ponta da faca.

não sei se meu pai teve de mim todo esse amor em vida. então eu olho para o Philip Toledano e para seu pai, e, com todo o meu coração, os reverencio.

3.4.09

fui ver como estava a situação do meu cpf na receita federal. tá tudo bem, regularizado. e não resisti, digitei o cpf do meu pai. tá lá: suspenso. e o número, decorado há tantos e tantos anos, continua correto, com seu jeito de telefone...